O SANTO QUE ENFRENTOU O DEMÔNIO - 17-1

 


O SANTO QUE ENFRENTOU O DEMÔNIO - 17-1
17-1 Santo Antão do Deserto

Santo Antão, chamado com justiça de Pai dos Monges, nasceu por volta do ano 251, no Egito, em uma família cristã abastada. Ainda jovem, ouviu no Evangelho as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e segue-Me”. Tomando-as ao pé da letra, distribuiu seus bens, confiou a irmã a uma comunidade de virgens e retirou-se para a vida eremítica, iniciando uma existência totalmente consagrada a Deus.

Primeiramente viveu próximo à sua aldeia, mas, desejoso de maior perfeição, avançou cada vez mais para o deserto, buscando solidão, silêncio, jejum e oração contínua. Sua fama de santidade, porém, atraiu discípulos, e Antão tornou-se mestre espiritual de inúmeros monges, ainda que sempre preferisse a solidão.
Desde o início de sua vida ascética, Santo Antão enfrentou violentas tentações do demônio. Os espíritos malignos, invejosos de sua entrega total a Deus, atacavam-no de todas as formas: pela lembrança dos bens abandonados, por pensamentos impuros, pelo desânimo e pelo medo. Quando essas tentações não surtiram efeito, passaram a manifestar-se de modo sensível, assumindo formas de feras terríveis, serpentes, leões, lobos e monstros horrendos, que o ameaçavam e o atacavam fisicamente.

Em uma ocasião particularmente célebre, enquanto vivia em um túmulo abandonado, Santo Antão foi espancado brutalmente pelos demônios, a ponto de ficar quase morto. Seus discípulos o encontraram inconsciente e o levaram de volta à aldeia. Recuperando-se, Antão insistiu em retornar ao mesmo lugar, desejoso de não ceder à fúria infernal. Ali, os demônios voltaram a atacá-lo com ainda maior violência, provocando dores intensíssimas em todo o seu corpo.
Foi então que, em meio ao sofrimento extremo, Nosso Senhor Jesus Cristo lhe apareceu, enchendo a gruta de luz celestial e fazendo fugir os demônios. Santo Antão, exausto e ferido, disse ao Senhor: “Onde estavas, meu Jesus? Por que não vieste desde o começo para aliviar minhas dores?”. E o Senhor respondeu: “Antão, Eu estava aqui, mas quis ver o teu combate. Agora, porque perseveraste, serei sempre teu auxílio e farei teu nome glorioso em toda a terra”. Consolado e fortalecido, Antão levantou-se com renovado vigor espiritual.
A partir de então, embora os ataques do demônio continuassem, Santo Antão jamais duvidou da presença de Cristo. Suas lutas tornaram-se exemplo para toda a Igreja, ensinando que a vida espiritual é um combate real e que a vitória não vem da força humana, mas da graça de Deus.

Mesmo vivendo no deserto, Santo Antão não foi alheio à vida da Igreja. Durante a perseguição do imperador Maximino Daia, foi a Alexandria para fortalecer os cristãos e confessar publicamente a fé. Mais tarde, também combateu com firmeza a heresia ariana, apoiando Santo Atanásio na defesa da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Santo Antão morreu em paz no ano 356, com aproximadamente 105 anos, após uma vida inteira de oração, penitência e combate espiritual. Seu corpo foi sepultado secretamente, conforme seu desejo, para evitar venerações desordenadas.
Seu testemunho permanece atual e necessário. Ele nos ensina que o demônio existe, que age, que tenta e que ataca, mas também que Cristo é infinitamente mais forte e jamais abandona aqueles que n’Ele confiam.

Reflexão
A vida de Santo Antão recorda aos cristãos que o combate espiritual não é uma metáfora, mas uma realidade. O deserto de Antão é também o deserto interior de cada alma que busca a Deus. Quem foge do pecado e do mundo não fica sem combate, mas nunca combate sozinho. Onde abundam as investidas do inimigo, superabunda a graça de Cristo. Perseverar, confiar e permanecer fiel até o fim é o caminho seguro da vitória.

Milagres
Entre os milagres atribuídos a Santo Antão destacam-se, antes de tudo, os de ordem espiritual. Muitos que o procuravam, atormentados por tentações, angústias e obsessões, recebiam libertação, paz interior e força para perseverar na fé. A tradição relata curas de enfermos que lhe pediam oração e auxílio, bem como libertações de pessoas oprimidas por espíritos malignos. Um dos episódios mais marcantes de sua vida foi quando, após ser brutalmente atacado pelos demônios no deserto e deixado quase morto, foi milagrosamente socorrido pelo próprio Cristo, que lhe apareceu envolto em luz e o restaurou. Esse fato tornou-se um testemunho poderoso da vitória da graça sobre o poder do maligno.

Frase marcante do santo
“Quem se assenta no deserto e vive em silêncio está livre de três combates: o da audição, o da palavra e o da visão; só resta um combate, o do coração.”

Exemplo para a Igreja doméstica
Santo Antão ensina às famílias cristãs o valor da vida interior, da vigilância espiritual e da oração perseverante. Seu exemplo recorda que o lar deve ser um lugar onde Deus é buscado com sinceridade, onde se combate o pecado com humildade e onde se confia na graça divina nas lutas diárias. Mesmo vivendo no deserto, Antão nunca se afastou da caridade, aconselhando e fortalecendo os que o procuravam. Assim também a família cristã é chamada a ser um pequeno deserto interior, separado do espírito do mundo, mas cheio de amor, fé e serviço.

Oração
Ó glorioso Santo Antão, pai dos monges e fiel combatente de Cristo, que enfrentastes com coragem as ciladas do demônio e jamais perdestes a confiança no Senhor, alcançai-nos a graça da perseverança na fé, da pureza de coração e da fortaleza nas tentações. Intercedei por nossas famílias, para que vivam unidas em oração, na caridade e na fidelidade ao Evangelho. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Reflexão espiritual
A vida de Santo Antão revela que o combate espiritual é real e constante, mas nunca estamos sozinhos. Deus permite as provações para nos purificar, fortalecer e conduzir a uma união mais profunda com Ele. As lutas do santo contra os demônios mostram que a vitória não vem da força humana, mas da humildade, da oração e da total confiança em Cristo. Quando Antão, quase vencido, perguntou ao Senhor onde Ele estava, ouviu a resposta consoladora de que Deus jamais o havia abandonado. Essa verdade sustenta também cada cristão nas horas de escuridão.

Pequena prática devocional familiar
Escolher um dia da semana para um momento breve de silêncio e oração em família. Desligar distrações, ler um pequeno trecho do Evangelho, rezar juntos um Pai-Nosso e pedir a intercessão de Santo Antão para vencer as tentações e crescer na vida espiritual. Ensinar às crianças que o silêncio e a oração são armas fortes contra o mal e caminhos seguros para a amizade com Deus.

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Prof. Emílio Carlos

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