O DESTERRO DE NOSSA SENHORA E O DESTERRO DO REMANESCENTE

 


O DESTERRO DE NOSSA SENHORA E O DESTERRO DO REMANESCENTE
Quando Deus conduz Seus eleitos pelo caminho do exílio 

A história da salvação não é feita apenas de triunfos visíveis, mas de caminhos ocultos, desertos silenciosos e exílios dolorosos. Deus, que poderia livrar imediatamente os Seus escolhidos de toda provação, muitas vezes permite que atravessem noites profundas. Não para destruí-los, mas para purificá-los. Não para abandoná-los, mas para prepará-los.
Assim foi com a Sagrada Família.
Assim é, hoje, com o remanescente fiel da Igreja.

O desterro de Nossa Senhora: a Mãe no deserto
O Evangelho de São Mateus narra que um anjo apareceu em sonho a São José e ordenou: “Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito.”
E assim partiu Nossa Senhora.
A Imaculada.
A cheia de graça.
Aquela que carregava o próprio Deus em Seus braços.
Não houve explicações longas. Não houve garantias humanas. Houve apenas obediência.
Maria atravessou o deserto como estrangeira. Viveu em terra estranha. Experimentou a insegurança, o silêncio, o ocultamento. A Mãe do Salvador conheceu o peso do exílio.
O Egito não era o destino final. Era um lugar de passagem. Um refúgio provisório enquanto a perseguição ardia.
Maria não reclamou. Não questionou os desígnios de Deus. Confiou.
E no silêncio do Egito, o Salvador cresceu.

O remanescente e seu exílio espiritual
Hoje, muitos filhos da Igreja experimentam algo semelhante.
Não necessariamente um exílio geográfico, mas um desterro espiritual. É a sensação de ser estrangeiro no próprio tempo. É amar a fé de sempre quando o mundo exige adaptações, mudanças, modernizações. É guardar a doutrina quando ela é relativizada. É defender a verdade quando ela é ridicularizada.
O remanescente não é compreendido.
É chamado de exagerado.
É acusado de rigidez.
É pressionado a ceder.
Mas permanece.
Assim como Maria levava Jesus nos braços, o remanescente carrega a fé no coração. Guarda o depósito recebido. Permanece unido à Igreja de sempre, à Tradição viva, aos sacramentos, ao Santo Sacrifício.
O mundo moderno muitas vezes se assemelha ao Egito: não é a pátria definitiva. É terra de passagem.

O silêncio que prepara a restauração
O desterro de Maria foi oculto. Nenhuma glória pública marcou aqueles anos. Apenas fidelidade cotidiana.
O remanescente também vive um tempo de ocultamento.
Parece que o mal avança. Parece que a verdade é abafada. Parece que a noite se prolonga.
Mas o silêncio de Deus nunca é vazio. É gestação.
Foi no silêncio do Egito que o Filho de Deus cresceu para cumprir Sua missão.
É no silêncio do remanescente que Deus prepara uma purificação profunda.
Nada do que é vivido na fidelidade é inútil. Cada Rosário rezado. Cada Missa assistida com reverência. Cada ato de reparação. Cada sacrifício escondido.
Tudo está sendo contado no Céu.

Depois da noite, o chamado
A tradição espiritual fala de um tempo de purificação, de provações intensas, de dias em que as trevas parecerão densas. Mas a noite não é eterna.
Assim como o anjo voltou a aparecer a São José anunciando que podiam regressar, também haverá um chamado final.
Um chamado para os que permaneceram.
Assim como a Sagrada Família foi conduzida de volta quando cessou a perseguição, o remanescente será chamado no momento determinado por Deus.
Depois das tribulações, depois da purificação, depois da grande noite, virá o chamado.
Um anjo chamará os fiéis ao encontro definitivo com Cristo.
Não será retorno a uma cidade terrena. Será o encontro com o Senhor no Juízo.
E os que perseveraram reconhecerão a Voz.
Não irão com pavor, mas com esperança. Porque aquele que chama é o mesmo a quem serviram no silêncio, no desterro, na incompreensão.

Não desista
Se você se sente pequeno, isolado, invisível, lembre-se:
Maria também foi estrangeira.
Jesus também foi perseguido.
José também conheceu a insegurança.
Mas obedeceram.
Deus nunca precisou de multidões para cumprir Seus planos. Ele sempre começou com um pequeno resto fiel.
O remanescente pode parecer frágil, mas é sustentado pelo Céu.
Por isso permaneça.
Permaneça na oração diária.
Permaneça na fidelidade aos sacramentos na igreja doméstica.
Permaneça na doutrina íntegra.
Permaneça mesmo quando não for compreendido.
Permaneça mesmo quando doer.
O desterro não é o fim.
O Egito não é eterno.
O deserto é caminho, não destino.
Assim como a Sagrada Família saiu do exílio no tempo determinado por Deus, também o remanescente será chamado no momento final.
E quando esse chamado vier, que o Coração de Jesus reconheça em nós a mesma fidelidade que encontrou no Coração Imaculado de Sua Mãe.
A noite pode ser longa.
Mas a aurora pertence aos que perseveram.

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