O MÁRTIR E O APÓSTATA QUE NÃO PERDOOU – 27-2
27-2 São Nicéforo Mártir
São Nicéforo viveu em Antioquia da Síria, nos primeiros séculos do Cristianismo, tempo em que a perseguição aos cristãos ainda manchava de sangue as cidades do Império Romano. Era leigo, homem simples, mas de fé ardente e coração profundamente sensível às coisas de Deus.
Tinha outrora grande amizade com um presbítero chamado Saprício. Por motivos humanos, talvez uma palavra mal interpretada ou uma ofensa não reparada, surgiu entre ambos uma desavença. O que começou pequeno tornou-se divisão grave. Saprício fechou o coração; Nicéforo, porém, movido pela graça, reconheceu que nenhuma inimizade pode subsistir diante do mandamento do amor.
Quando estourou nova perseguição contra os cristãos, Saprício foi preso e condenado ao martírio. Levado pelas ruas rumo ao suplício, confessava a Cristo com firmeza. O povo admirava sua coragem. Era visto como futuro mártir, quase já coroado.
Foi então que Nicéforo, sabendo do ocorrido, correu ao seu encontro.
Ajoelhava-se diante dele, em plena rua, entre soldados e curiosos, e suplicava:
“Perdoa-me, irmão, por amor de Cristo. Não leves para a eternidade este rancor entre nós.”
Saprício, endurecido, recusava-se.
Nicéforo insistiu uma segunda vez, com lágrimas. Novamente foi repelido.
Uma terceira vez, prostrado, implorou perdão antes que o amigo chegasse ao lugar do suplício. Saprício manteve-se inflexível. Seu coração estava fechado. Não compreendia que ninguém pode oferecer a própria vida por Cristo guardando ódio no peito.
No momento decisivo — quando já estava diante do instrumento de morte — algo terrível aconteceu. A coragem de Saprício desfaleceu. Aquele que até então caminhava resoluto começou a tremer. O medo tomou-lhe a alma. O Espírito Santo, entristecido pela dureza de seu coração e pela falta de caridade, retirou-lhe o auxílio que sustentava sua fortaleza.
Diante da ameaça final, Saprício negou a fé. Apostatou.
A multidão se espantou. Aquele que estava prestes a receber a coroa da glória abandonava Cristo por não ter sabido perdoar.
Nicéforo, vendo aquilo, ainda tentou persuadi-lo:
“Não percas a coroa que o Senhor te preparou! Não troques a vida eterna por alguns instantes!”
Mas Saprício permaneceu no erro.
Então, inflamado de zelo e amor, Nicéforo declarou diante dos juízes:
“Eu sou cristão. Se ele não quer morrer por Cristo, eu morrerei.”
Ofereceu-se para ocupar o lugar daquele que recusara o martírio. Confessou publicamente a fé e foi condenado à morte.
Assim, aquele que fora desprezado e humilhado recebeu a palma do martírio. Nicéforo morreu por Cristo, não apenas com coragem, mas com caridade perfeita. Perdoara antes de ser perdoado. Amara antes de ser amado. E, porque tinha o coração reconciliado, recebeu a graça da fortaleza até o fim.
Sua história permanece como severo ensinamento: não basta confessar a fé com os lábios; é necessário possuir um coração misericordioso. A falta de perdão pode fechar as portas da graça, enquanto a humildade abre o caminho da santidade.
Ensinamento espiritual
O martírio começa no interior da alma. Quem não vence o orgulho dificilmente vencerá o medo. A dureza de coração afasta o auxílio divino; a humildade atrai a força do Céu.
Frase
“Antes de oferecer tua vida a Deus, oferece-Lhe teu coração reconciliado.”
Oração
São Nicéforo, que preferistes morrer a conservar qualquer sombra de rancor, alcançai-nos a graça do perdão sincero. Livrai-nos da dureza de coração e ensinai-nos que nenhuma coroa é possível sem caridade. Que, reconciliados com nossos irmãos, possamos permanecer firmes na fé até o fim. Amém.
Pequena prática devocional
Hoje, recordando São Nicéforo, faça um exame sincero de consciência: existe alguém a quem ainda não perdoaste? Reza por essa pessoa e, se possível, dá o primeiro passo para a reconciliação.
Paróquia Sagrada Face de Tours: a paróquia espiritual das igrejas domésticas
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Prof. Emílio Carlos



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