A PERGUNTA QUE TODO CATÓLICO DEVE FAZER A JESUS

 


     A pergunta que todo católico deveria fazer a Jesus

Recentemente, um ator que interpreta Nosso Senhor Jesus Cristo em uma produção cinematográfica foi questionado por uma jornalista: "Se você pudesse tomar um café com Jesus, o que diria a Ele?"

A resposta surpreendeu pela simplicidade e profundidade:

"Eu perguntaria: 'E daí, ficou bom? Eu cheguei pelo menos perto?'"

Ele se referia à sua atuação. Afinal, interpretar Jesus Cristo diante de milhões de pessoas é uma responsabilidade imensa. Como representar dignamente Aquele que é o Filho de Deus? Como transmitir algo de Sua majestade, de Sua bondade, de Sua misericórdia e de Sua força?

A pergunta do ator revela algo belo: ele parecia verdadeiramente preocupado com a opinião de Jesus.

E talvez seja justamente aí que esteja uma grande lição para todos nós.

Porque, se aquele homem está representando Cristo numa tela de cinema, nós estamos representando Cristo diante do mundo inteiro.

O ator o representa por algumas horas de filme.

Nós o representamos durante toda a nossa vida.

Cada católico é chamado a ser outro Cristo. Somos discípulos, membros de Seu Corpo Místico, filhos da Igreja que Ele fundou. Quando as pessoas olham para nós, deveriam enxergar algo de Jesus. Quando observam nossas palavras, nossos gestos, nossa família, nossa forma de viver, deveriam perceber um reflexo do Evangelho.

Por isso, talvez todos nós devêssemos fazer a mesma pergunta.

Não necessariamente sentados diante de uma mesa tomando café com o Senhor, mas ajoelhados diante do Santíssimo Sacramento, diante do crucifixo da sala, diante do altar da igreja doméstica.

Ali, em silêncio, poderíamos perguntar:

"Senhor, está ficando bom?"

"Estou conseguindo representar-Te dignamente?"

"As pessoas conseguem ver algo de Ti em mim?"

"Estou chegando perto daquilo que esperavas quando me chamaste para ser teu discípulo?"

São perguntas que incomodam. E justamente por isso são tão importantes.

Vivemos numa época em que muitos se preocupam excessivamente com a opinião dos homens. Queremos aprovação nas redes sociais, reconhecimento dos amigos, elogios dos colegas, aceitação do mundo.

Mas quantos se preocupam verdadeiramente com a opinião de Jesus?

Quantos terminam o dia perguntando:

"Senhor, o que Tu pensaste das minhas escolhas de hoje?"

"Como viste minhas palavras?"

"Como viste minha paciência com minha família?"

"Como viste minha oração?"

"Como viste minha fidelidade?"

Um dia, todas as vozes do mundo se calarão.

Os aplausos desaparecerão.

As críticas desaparecerão.

As curtidas desaparecerão.

As opiniões dos homens desaparecerão.

Mas permanecerá uma única opinião que realmente importa: a de Nosso Senhor.

Os santos compreenderam isso profundamente.

Eles não buscavam ser admirados.

Buscavam agradar a Deus.

Não perguntavam constantemente se o mundo estava satisfeito com eles.

Perguntavam se Deus estava satisfeito.

E essa é uma diferença que muda tudo.

Talvez muitos de nós descobramos que estamos ocupados demais construindo uma imagem diante dos homens e pouco preocupados em formar a imagem de Cristo dentro de nós.

O Senhor não nos pedirá contas da fama que alcançamos.

Perguntará sobre a fidelidade.

Não perguntará quantas pessoas nos admiravam.

Perguntará quanto O amamos.

Não perguntará quantos seguidores possuíamos.

Perguntará se O seguimos.

Por isso, seria uma excelente prática espiritual reservar alguns minutos todos os dias para fazer exatamente a pergunta daquele ator:

"Senhor, ficou bom?"

"Hoje eu Te representei bem?"

"Minha família viu algo de Ti em mim?"

"Meu trabalho refletiu Teus ensinamentos?"

"Meu coração esteve próximo do Teu?"

E então permanecer em silêncio.

Porque a consciência iluminada pela graça costuma conhecer a resposta.

Às vezes o Senhor nos mostrará que estamos longe.

Outras vezes nos mostrará que estamos avançando.

Mas em ambos os casos, Sua resposta será sempre um convite para crescer.

A boa notícia é que Jesus não procura atores perfeitos.

Procura discípulos fiéis.

Não exige uma interpretação impecável.

Deseja um coração sincero.

Por isso, ainda que nossa representação esteja imperfeita, ainda que tenhamos falhado muitas vezes, ainda que estejamos longe da santidade dos grandes santos, podemos continuar caminhando.

E, ao final de cada dia, repetir humildemente:

"Senhor, estou tentando."

"Estou aprendendo."

"Estou lutando."

"E se ainda não cheguei perto, ajuda-me a chegar."

Porque a maior alegria de um cristão, no fim da vida, será ouvir não os elogios dos homens, mas aquelas palavras que valem mais do que todos os aplausos da terra:

"Servo bom e fiel."

Nesse dia, finalmente saberemos que ficou bom.


Prof. Emílio Carlos

Pároco Leigo da Paróquia Sagrada Face de Tours 


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