O SANTO DOS MILAGRES NA COZINHA - 5-10

 

 


5-10 — São Benedito, Religioso Franciscano e Confessor

Padroeiro dos cozinheiros e das cozinheiras, segundo a tradição devocional; venerado como um dos padroeiros de Palermo, na Sicília.

São Benedito, conhecido como Benedito de São Fratello ou Benedito, o Mouro, nasceu na Sicília, na primeira metade do século XVI. As fontes divergem quanto ao ano de seu nascimento, situando-o geralmente entre 1524 e 1526. Filho de pais de origem africana que haviam sofrido a escravidão, cresceu em condições humildes. Desde a juventude, distinguiu-se pela piedade e pela mansidão. Trabalhando no campo, suportava os desprezos sem abandonar a caridade cristã.

Desejando consagrar-se a Deus, uniu-se aos eremitas dirigidos por Jerônimo Lanza. Mais tarde, com a reorganização daquela comunidade, ingressou entre os Frades Menores, em 1562. No convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, exerceu humildemente o ofício de cozinheiro. Era irmão leigo: professara a vida religiosa, mas não recebera a ordenação sacerdotal.

Na cozinha, encontrou um caminho de santificação. Preparar os alimentos e servir aos irmãos eram ocasiões de praticar a caridade. Seu amor aos pobres acompanhava o cuidado pela comunidade, e a antiga hagiografia conserva relatos de socorros extraordinários ligados aos alimentos e ao trabalho do santo. Assim, a cozinha de Benedito ficou associada, na devoção cristã, à oração, à generosidade e à confiança na Providência.

Embora não soubesse ler nem escrever, foi escolhido guardião, isto é, superior do convento, em 1578. Exerceu também a função de mestre dos noviços. A confiança dos irmãos naquele religioso humilde mostra quanto sua virtude era estimada. Sua autoridade apoiava-se no exemplo e na caridade com que conduzia a comunidade.

Sua vida de oração possuía também uma dimensão mística. A hagiografia tradicional lhe atribui discernimento dos corações e uma compreensão admirável das coisas de Deus. Esses dons são apresentados como graças recebidas para auxiliar as almas. Ao ser dispensado das responsabilidades de governo, voltou ao serviço da cozinha, enquanto muitas pessoas continuavam a procurá-lo em busca de conselho, auxílio e cura.

Benedito morreu no convento de Santa Maria de Jesus em 4 de abril de 1589. Foi canonizado pelo Papa Pio VII em 24 de maio de 1807. Sua memória permanece como um testemunho de que a humildade, o trabalho e a caridade podem conduzir à santidade. Aquele que serviu entre os utensílios de uma cozinha tornou-se exemplo para os que desejam servir a Deus nas ocupações mais simples.

Milagres

Os acontecimentos abaixo pertencem à tradição hagiográfica de São Benedito e devem ser apresentados como relatos dessa tradição.

  1. Alimentos para a comunidade e os pobres. A vida publicada pelo franciscano Berchmans Bittle, em 1958, relata que, apesar da generosidade de Benedito em distribuir alimentos aos necessitados, as provisões não pareciam esgotar-se. A tradição reconhece nesse auxílio um sinal da Providência divina.

  2. Peixes nas vasilhas de água. Uma narrativa tradicional conta que, durante um período de escassez, quando o mau tempo impedia os religiosos de sair para pedir esmolas, Benedito mandou encher de água algumas vasilhas e passou a noite em oração. Na manhã seguinte, elas foram encontradas com peixes suficientes para alimentar a comunidade.

  3. A refeição de Natal. A antiga hagiografia relata que Benedito permaneceu tão profundamente recolhido em oração, num dia de Natal, que não preparou a refeição no horário esperado. Contudo, quando chegou o momento de servir, os alimentos estavam prontos. Outra narrativa tradicional associa esse socorro à ajuda de anjos na cozinha.

Exemplo para a Igreja doméstica

São Benedito ensina que o serviço da casa pode tornar-se uma oferta agradável a Deus. Preparar uma refeição, lavar os utensílios, cuidar de alguém enfermo e repartir o pão são obras que a caridade pode santificar.

Na Igreja doméstica, ninguém deve desprezar aquele que realiza as tarefas mais simples. Quem cozinha e cuida da casa também sustenta a vida familiar. A gratidão, a colaboração e uma palavra bondosa ajudam a transformar o trabalho cotidiano em serviço cristão.

Seu exemplo convida ainda a recordar os pobres. Ao agradecer pelo alimento recebido, a família deve procurar, conforme suas possibilidades, socorrer quem passa necessidade.

Oração

Ó glorioso São Benedito, humilde filho de São Francisco, que servistes a Deus no recolhimento da oração e nos trabalhos da cozinha, intercedei por nossa família.

Alcançai-nos um coração manso, livre do orgulho e disposto a servir. Ensinai-nos a cumprir nossos deveres com diligência, a suportar as contrariedades com paciência e a reconhecer Jesus nos pobres e necessitados.

Rogai ao Senhor para que não nos falte o pão necessário e para que nunca fechemos o coração à fome de nossos irmãos. Ajudai-nos a receber os bens de Deus com gratidão e a reparti-los com caridade.

Pela vossa intercessão, conceda-nos Nosso Senhor a graça de perseverar na fé e de santificar nossa vida nas pequenas obrigações de cada dia. Amém.

Reflexão espiritual

  1. Servir sem procurar elogios. Faço o bem somente quando alguém reconhece meu esforço? Aprendamos a oferecer a Deus o trabalho escondido, realizado com amor e fidelidade.

  2. Respeitar quem trabalha. Tenho gratidão por quem prepara os alimentos e cuida de nossa casa? A caridade começa também no modo como tratamos aqueles que nos servem diariamente.

  3. Repartir o pão. Recordo os necessitados quando me sento à mesa? A confiança na Providência deve acompanhar o trabalho responsável e a disposição de ajudar o próximo.

Pequena prática devocional familiar

Antes de uma refeição, reunir a família e rezar um Pai-Nosso pelos que passam fome, acrescentando: “São Benedito, rogai por nós”.

Nesse dia, cada pessoa ajude em alguma tarefa da cozinha ou da mesa. Se possível, a família separe um alimento para oferecer a alguém necessitado.



Canal oficial no youtube:

www.paroquiasagradafacedetours.com.br

 

LOJA SAGRADA FACE: a loja das igrejas domésticas

www.lojasagradaface.com.br




 

Comentários